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YOSA BUSON, O ESTETA DO HAICAI


Desenho do rosto de Yosa Buson, feito pelo artista Matsumura Goshun.


 

YOSA BUSON, O ESTETA DO HAICAI

 

 

Antônio Seixas

1. Apresentação
2. O Homem
3. O Pintor
4. O Mestre do Haicai
5. Seleção de Haicais
6. Referências bibliográficas


1. Apresentação.

Neste esboço biográfico procuramos apresentar alguns ponto da vida e da obra de Yosa Buson (1716-1783), pintor, calígrafo e poeta, um dos quatro mestres do Haicai japonês, ao lado de Matsuo Bashô, Kobayashi Issa e Masaoka Shiki, por ocasião dos 220 anos de sua morte.

Celebrado por seu estilo inteligente e minucioso, Buson fez escola com sua produção, na qual se percebe a busca pela perfeição no verso, atento à forma e ao ritmo empregados no poema.

Certo é que Yosa Buson ao trazer a sensibilidade que faltou a Bashô, com seu capacidade de concretizar em poucos linhas uma imagem, às vezes considerada um tanto fria mas, sempre brilhante, tornou-se universal e a-temporal, e, por isso mesmo, imortal.

2. O Homem.

Taniguichi Buson, depois denominado Yosa Buson, nasceu no subúrbio de Osaka, no Japão, em 1716, vinte e dois anos depois da morte de Bashô, pouco se sabendo sobre sua origem.

Em 1737 mudou-se para Edo (atual Tóquio) para estudar pintura e Haicai, na Shômon, a tradicional escola de Bashô.

Ao contrário de Bashô e Issa, não teve uma vida de pobreza, sendo um poeta de aristocrática distinção.

Casou-se em 1760, com uma moça de nome Tomo, com quem viveu por 23 anos. Tomo faleceu em 1814. Em 1776, sua filha contraiu núpcias, mas o infeliz casamento desta muitos aborrecimentos trouxe para o poeta. Dos poucos fatos registrados sobre sua vida, sabe-se que Buson foi um marido apaixonado e um devotado pai.

Em 1777, Buson publicou o livro “Nova colheita de flores” (Shin-Hanatsumi), dividido em uma seção de Haicais e outra de estudos sobre o gênero.

Escreveu mais de dois mil Haicais até sua morte, ocorrida no final do ano de 1783, tendo deixado um Haicai composto in extremis:

 

Ah! A noite
iluminada pela alvura
das ameixeiras.

 

Permaneceu lembrado apenas como pintor e calígrafo até que Shiki, no século XIX, reviveu sua reputação, por considerá-lo acima de Bashô, pela sua técnica refinada, onde os Haicais transmitem de forma surpreendentemente clara a impressão neles descrita.

3. O Pintor.

Yosa Buson trabalhou, particularmente, como pintor entre 1756 e 1765, existindo, ainda hoje, no templo de Kyoto algumas de suas pinturas, representado paisagens, animais etc.

Buson complementava quase todos os seus Haicais com uma pequena pintura descritiva (haiga), tal como fizeram muitos outros poetas antes e depois dele.

No seu caso, sua obra pictórica se estende por outros contextos e pode ser considerada uma fase importante dentro da história da pintura japonesa, graças a escola impressionista que ajudou a criar com seu traço.

Como pintor, objetivava que a obra refletisse o espírito e o temperamento poético do artista, livre de qualquer restrição por parte da técnica. Assim, suas pinturas plasmam fugazes visões da realidade, como se Haicais fossem.

4. O Mestre do Haicai.

Como poeta, Yosa Buson retoma a prática do Haicai, liderando o movimento de retorno ao estilo de Bashô, para, então, aprimirá-lo. Sua técnica é mais transparente e objetiva, caracterizada por um sentido mais agudo de observação da natureza, contrapondo-se ao estilo daquele, não apresentado filosofias nem aspectos religiosos. Sua expressão é tão refinada que não possui igual em sua técnica.

De se registrar, que a grandeza de Buson está na sua extrema atenção às pequenas coisas, não apenas objetivamente, mas subjetivamente também; assim, para o leitor de Yosa Buson, a relação entre as coisas e entre as coisas e as pessoas é criada-descoberta num eterno encantamento.

Em sua obra, Buson perseguia do início ao fim através de sua maestria, a perfeição. Interessante pensar que nessa busca, no que diz respeito a exposição de idéias, distinguiu-se dos demais poetas, pelo fervor com que buscou a beleza no poema.

Apresentava-se como o espectador objetivo e de olhar minucioso, preocupado com a forma e o ritmo, sem procurar participação nos momentos que descrevia. Propunha um estilo de observação puro, sem intermediários, da própria natureza; estilo que, posteriormente, foi denominado descritivo.

Seus poemas são descritivos, mas suas cenas são mais idealizadas que realistas. Buson procurava descrever, dessa maneira, a essência das coisas e não sua superfície. Aliás, há de se destacar que em sua poesia, Buson explora a imaginação e se inspira nela para compor alguns de seus mais importantes poemas.

Finalmente, em Yosa Buson seu sentimento de espaço e de assimetria conduziram-no a transformar a natureza e seus símbolos em Haicais nos quais se observa um clima pictórico muito marcante. Em razão de sua formação aristocrática, era dotado de uma quase inimaginável capacidade de sintetizar em poucas linhas uma imagem, tornando-a inesquecível, às vezes um pouco fria, muito conceitual, mas sempre brilhante.

5. Seleção de Haicais.

Em razão de seu refinamento, os Haicais de Yosa Buson são difíceis de serem traduzidos para outro idioma. Na seleção abaixo, optamos por uma amostra a-crítica dos poemas, em razão do propósito do presente trabalho, procurando traçar, tão-somente, um pequeno painel do belíssimo universo poético de Buson.

 

Veja a brisa matinal
Soprando os pêlos
Da taturana!

0o0

O rio de verão –
Que alegria atravessá-lo
De sandálias à mão.

0o0

Anoitece mais cedo –
As estrelas brilham
Sobre o campo seco.

0o0

Partem os barcos –
Como ficam distantes
Os dias de outono!

0o0

Cortado o arroz,
O sol de outono
Brilha no capim.

0o0

Outro longo dia,
E a primavera
Vai chegando ao fim!

0o0

Que coisa linda,
Abanando o leque branco,
É o meu amor.

0o0

O crisântemo amarelo
Sob a luz da lanterna de mão
Perde sua cor.

0o0

Melancolicamente
Subo a colina
De sarças em flor.

0o0

Na noite encurtada
Demora-se sobre o monte
Um trapo de lua.

0o0

Sem ser esperado
Em dia de chuva grita
O cuco cinzento.

0o0

Da viela próxima
Sob o luar da tarde escuto
O pregão do alheiro.

6. Referências bibliográficas.

BLYTH, R. H. A History of Haiku. – 9.ª ed. -, Tóquio, Hokusseido Press, 1984.
CAMPOS, Geir. Haicais – Poesia do Japão. RJ.: Ediouro, 1988.
ENCICLOPÉDIA BARSA. SP.: Britannica, 1989, v. I.
FRANCHETTI, Paulo et. al. Haikai. – 3.ª ed. -, SP.: Editora da UNICAMP, 1996.
IURA, Edson Kenji. (1999). Antologia de Haicais japoneses. http://www.kakinet.com
SAVARY, Olga. O livro dos Haikais. – 2.ª ed. -, SP.: Aliança Cultural Brasil –Japão; Massao Ohno Ed., 1987.
SUANASCINI, Osvaldo. Três mestres do Haikai: Bashô, Buson e Issa. RJ.: Cátedra, 1974.
SUZUKI, Eico. Literatura Japonesa: 712-1868. SP.: Ed. do Escritor, s. d. (Coleção ensaio: 10).
YOTSUYA, Ryu. (s. d.). 10 Haikuists and their works: from Bashô to Koi. http://www.big.org.jap.

 


Magé/RJ., 08 de agosto de 2003.

Publicado originalmente no blog de haicais "universodohaicai.vilabol.uol.com", que foi descontinuado pelo BOL/UOL.

Post by haikai (2012-11-13 18:32)

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