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A PRÁTICA DO HAICAI

Conferência ministrada durante o 1o Encontro de Haicai de Niterói/RJ., em 25 de novembro de 2003, por Antônio Seixas

Caríssimos, antes de comentarmos a prática do haicai, se faz necessário fixar alguns conceitos. O primeiro deles, e fundamental, é o da poesia. GEIR CAMPOS nos diz que “poesia é a arte de excitar a alma com um a visão de mundo através das melhores palavras e sua melhor ordem” (1).

 

Já “o vocábulo “poema” tem sido empregado histórica e universalmente para designar o texto em que o fenômeno poético se realiza” (2). ANTÔNIO AMORA SOARES leciona que “o poema resulta em ser a expressão ou a forma da poesia” (3).

 

Partindo desses pressupostos, precisamos lembrar que dentro do gênero poesia, temos a subdivisão das formas.

 

Recordando MASSOUD MOISÉS, as formas fixas são “moldes formais e estruturais (métrica, estrofação etc.) adotados segundo um critério natural de adequação entre a linguagem e o conteúdo. (...) Nesse sentido, as formas (fixas) da poesia lírica seriam especialmente as seguintes: o soneto, a ode, a canção, a balada” (4) e o haicai.

 

Ao analisarmos o haicai temos dois prismas a serem observados: a análise extrínseca, formal, “material” e a intrínseca, essencial, “imaterial”. Em razão do propósito destas palavras, traçaremos um painel sobre esses dois aspectos do haicai.

 

Como já foi dito, ao analisarmos o caráter extrínseco, formal, do haicai, devemos observar que, como forma poética fixa, seus elementos caracterizadores devem estar presentes, sob pena de descaracterização da forma.

 

Infelizmente, muitos escritores quando querem compor poemas breves, apropriam-se do nome haicai, mas esquecem-se de questões como a métrica, a referência às estações do ano, a impessoalidade do poema e procuram criar o seu próprio “haicai”.

 

Não custa reforçar que o haicai é um poema de três versos, que somam dezessete sílabas poéticas, o primeiro e o terceiro com cinco e o segundo com sete. Assim, se a métrica não for respeitada, não teremos u m haicai; talvez, com muita boa vontade, um quase-haicai. A consulta a qualquer gramática ou manual de metrificação se torna imperiosa para dominar as regras de metrificação.

 

A questão referente ao emprego do termo de estação não nos ateremos, pois já foi falada alhures. Apenas lembramos que é uma particularidade da poesia nipônica que merece ser preservada, por suas próprias características.

 

Para o propósito da presente, mostra-se relevante falarmos um pouco a respeito do uso da rima e do título no haicai.

 

Destituído de rima em sua origem, o haicai pressupõe a leitura silenciosa, visual e mental a um só tempo, para que se dê à fusão entre a percepção e o significado. Por isso que, às vezes, a declamação de um haicai não desperta a atenção do leitor, como no caso de uma trova ou soneto. A utilização da rima, assim, trará uma sonoridade estranha ao poema, tornando-o quase musical.

 

Fazendo crítica ao emprego das rimas nos haicais, comenta JORGE FONSECA JÚNIOR que, “os haicais com rima eu os incluiria sempre, entre os irregulares, e os mais irregulares, porquanto as rimas torcem demais a feição material original do haicai, em detrimento, quiçá, do seu sentido, daquilo que as palavras se unem intimamente e tentam expressar” (5).

 

No que tange a utilização do título no haicai, este deve ser evitado a qualquer custo, por ser uma prática estranha à sua tradição. Justifica-se esse posicionamento, vez que ao introduzir um título, o autor estará direcionando a leitura do poema.

 

Como lembra PAULO FRANCHETTI: "A simples inclusão de um título pode contribuir tão decisivamente para alterar por completo a percepção que temos a respeito da classificação genérica de um poema apresentado a nós como haicai" (6).

 

A respeito do caráter intrínseco, essencial, do haicai, pensamos ser oportuno atermos a questão do haimi e a questão da linguagem empregada no poema.

 

Por haimi temos a essência do haicai. É o elemento que o distingue de um simples terceto, por despertar uma sensação peculiar no leitor, ao compartilhar com este a percepção dada a algo pelo poeta. É com a prática contemplativa da natureza que aprendemos a distingui-lo dentro de um poema. A título ilustrativo, citamos este poema de Buson:

 

         Que coisa linda,
  abanando o leque branco,
         é o meu amor.


Cabe registrar que quando nos propomos a escrever haicais, devemos ter em mente que a linguagem utilizada será diferente da empregada na trova, no soneto e, até mesmo, no tanca. Nestes, valoriza-se a mensagem, com seu conteúdo moral ou filosófico, de crítica ou pedagógico. O haicai, por outro lado, é apenas uma imagem. Por isso, não são cabíveis provérbios ou máximas populares, bem como emitir juízos de valor ou lições de vida.

 

Por fim, qual a técnica para composição de haicais? Os poetas têm, cada um, seu meio próprio de composição, mas parece-nos interessante reler o exemplo deixado por BASHÔ, no diário de viagem a Sarashina: “ao crepúsculo chegamos a uma pequena caba na encosta. Acendi a lamparina e, pegando papel e tinta, fechei os olhos tentando recordar as impressionantes coisas que vira durante o dia” (7).

 

Penso ser um exemplo válido, também, o hábito de carregar um bloco, um caderno de notas, ou mesmo uma folha de papel, nos bolsos, para anotar os haicais compostos no dia-a-dia. Para o iniciante, principalmente, é a prática constante do haicai, aliada ao estudo e à leitura habituais, o importante.

 

Para concluir estas palavras, faço minhas as de JORGE FONSECA JÚNIOR que, assim se dirige às futuras gerações haicaístas: “ao finalizar estas linhas sobre o haicai, proclamo, e desejo ardentemente, vê-lo ainda incorporado á poesia brasileira, para seu maior engrandecimento e mérito, no quadro geral da poesia humana” (8). Eu também! Muito obrigado.

 

* Conferência ministrada durante o I Encontro de Haicai de Niterói/RJ., em 25 de novembro de 2003.

Referências Bibliográficas:

(1) CAMPOS, G. Pequeno Dicionário de Arte Poética. 4 ed. Ediouro, s.d.
(2) MOISÉS, M. A criação literária: poesia. 12 ed. Cultrix, 1993.
(3) AMORA, Antonio S. Introdução à Teoria Literária. 11 ed. Cultrix, 2001.
(4) MOISÉS, ob. cit.
(5) FONSECA JUNIOR, J. Do haicai e em seu louvor. Grêmio Cultural Brasil-Nipônico, 1940.
(6) FRANCHETTI, P. Guilherme de Almeida e a história do haicai no Brasil. In: ALMEIDA, Guilherme de. Haicais Completos, Aliança Cultural Brasil-Japão, 1996.
(7) BASHÕ. Trilha estreita ao confim. Trad. Alberto Marsiano, Iluminuras, 1997.
(8) FONSECA JUNIOR, ob. cit.


Antônio Seixas
Primavera de 2003

 

Post by haikai (2012-11-13 18:20)

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